O crescimento do interesse dos investidores por debêntures no último ano teve o efeito claro de acirrar a competição pelo financiamento dado às grandes empresas e, consequentemente, reduzir os custos de captação.

A conclusão pode ser demonstrada por números, mostra levantamento do Centro de Estudos do Mercado de Capitais da Fipe (Cemec-Fipe). O estudo comparou, entre março de 2016 e março deste ano, o comportamento das taxas no crédito dado às empresas por meio de captações via debêntures, notas promissórias, linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e de bancos comerciais, por meio da Taxa Preferencial Brasileira (TPB), que é aquela cobrada de seus “melhores clientes”.

Três anos atrás, a menor taxa era a do BNDES, ao redor de 12%. A maior, aquela oferecida pelos bancos, rondava os 19%. Hoje a taxa bancária continua a mais alta, só que está próxima aos 11%. Já a linha que oferece o menor custo de financiamento para empresas deixou a de ser a do banco de desenvolvimento (10,4%, atualmente) e passou a ser a praticada no mercado de capitais, nas emissões de debêntures, de 8,3%.

“O estudo mostra que, além de as taxas terem caído muito significativamente nesses três anos, a dispersão entre elas também se reduziu. Esse foi o efeito muito claro da entrada sólida do mercado de capitais no financiamento das empresas: baratear o custo das emissões”, afirma Carlos Antonio Rocca, diretor do Cemec-Fipe. Ele destaca que a redução das taxas de uma forma geral também foi influenciada pela queda do juro básico brasileiro (Selic), que saiu de 14,25% ao ano em março de 2016 para os atuais 6,5%. O fato de a Selic ter se reduzido também favoreceu o aumento da demanda por debêntures, à medida que investidores foram buscar aplicações que oferecessem mais retorno. Grande parte das emissões de debêntures é feita com remuneração atrelada ao CDI mais um prêmio.

A média anual de emissões via debêntures no Brasil foi da ordem de R$ 60 bilhões de 2015 até meados de 2017, quando elas começam a crescer. Em 2018, as captações praticamente dobraram. Para 2019, a tendência é de manutenção do volume de ofertas.

A maior redução das taxas foi na TPB, que diminuiu cerca de oito pontos nos últimos três anos. “Com a concorrência do mercado de capitais, os bancos não conseguem mais manter as taxas tão elevadas”, diz Rocca. Outro fator relevante para a participação do mercado deslanchar foi a saída do BNDES desse segmento.

Rocca destaca que essas condições mais favoráveis estão sendo hoje acessadas pelas grandes empresas, com notas de rating mais elevadas. “A queda do custo de financiamento é uma realidade e uma boa notícia para as grandes. Mas a expectativa é que, com tantas novas medidas para estimular o mercado, como a duplicata eletrônica ou o cadastro positivo, consigamos efeitos semelhantes e taxas mais favoráveis também para as pequenas e médias empresas ”, afirma Rocca.

Fonte: Sinfac / Valor Econômico